Metaverso: o que é este novo universo a ser explorado?

Por Matheus Melo

De acordo com Mark Zuckerberg, o Metaverso é a próxima fronteira a ser ultrapassada pela tecnologia, tal qual o desenvolvimento da internet, que surgiu na década de 70 como um limitado meio de comunicação militar e evoluiu ao ponto de poder transmitir grande quantidade de dados em segundos ao redor do mundo . Mas o que é, exatamente, o Metaverso? Estamos rumando para um futuro semelhante ao de ficções científicas como Jogador nº1, Matrix ou Neuromancer? 

O termo “Metaverso” foi inicialmente cunhado por Neal Stephenson em seu livro Snow Crash em que retrata a vida do protagonista que na realidade é um entregador de pizza, mas na realidade virtual do Metaverso é um samurai. Mas é possível definir o seu significado através da etimologia da palavra em que “Meta” é um prefixo grego que significa pós, depois ou além e “verso” remete a universo. Em outras palavras, o Metaverso é um universo pós-realidade, um ambiente multiusuário perpétuo e persistente que mescla realidade física com virtualidade digital. 

Na visão de Zuckerberg, o Metaverso permitirá que experiências e momentos sejam vividos da maneira mais imersiva possível sem necessariamente compartilhar o mesmo ambiente, e não somente olhando através da janela que a tela do celular ou do computador proporciona. E para fazer integração terá como base, principalmente, três tecnologias que já estão, de certa forma, disponíveis no mercado ou em desenvolvimento a algum tempo: Realidade aumentada (RA), Realidade virtual (RV) e Realidade mista (RM).

A realidade aumentada nada mais é do que a implementação de elementos virtuais em espaços físicos através de algum dispositivo. Um ótimo exemplo é o jogo Pokémon GO, disponível para smartphones, no qual é possível visualizar o pokémon que deseja capturar integrado ao ambiente em que você se encontra. Além disso, também é uma tecnologia aplicada no ensino, tal como o aplicativo Star Chart, que através da câmera do celular apontada para o céu é capaz de identificar e mostrar a localização de planetas, estrelas, constelações, a Lua, o Sol, cometas, chuvas de meteoros e outros astros. Mas ainda é uma forma de integração com o mundo virtual que se limita ao frame de uma tela.

Já a realidade virtual, se caracteriza por um ambiente artificial alternativo, digitalmente criado e completamente separado da realidade. Proporcionando uma grande imersão ao usuário na experiência que é demonstrada através dos headsets VR, a qual observa-se facilmente através dos vídeos virais de pessoas com medo de altura ou em pânico na montanha russa através da RV. Esta tecnologia é a que se aproxima mais ao que é utilizada pelo personagem do filme Jogador nº1, que adentra o mundo virtual de OASIS para jogar e interagir com seus amigos. E atualmente é amplamente utilizada em pesquisas para diferentes aspectos para além do entretenimento, desde reabilitação de vítimas de acidente vascular encefálico até tratamento de ansiedade social ou treinamento médico.

Por fim, e se ambas as tecnologias anteriores fossem combinadas para uma experiência  mais completa? A Realidade Mista, que é conceitualmente mais complexa, mas que basicamente, pode ser definida como uma tecnologia relacionada a RV que conecta ambientes completamente reais a ambientes completamente virtuais. Por exemplo, um personagem em um jogo de RM reconheceria o ambiente físico e se esconderia atrás de uma mesa ou atrás de um sofá. Tecnologia que pode ser acessada através de alguns dispositivos de RV, mas a principal empresa investindo neste segmento é a Microsoft que tem por objetivo maximizar a experiência de RM através dos Hololens.

Estas são apenas algumas das tecnologias que o metaverso pode utilizar, e ainda deve levar algum tempo e investimento em pesquisa para que toda a inovação apresentada por Zuckerberg seja implementada no nosso dia-a-dia. Mas mesmo ainda sem se consumar completamente, o Metaverso já gera diversas discussões em diferentes áreas, desde novos aspectos econômicos até questões éticas e morais que podem surgir através dos paradigmas criados por um universo digital e imersivo.

Para saber mais sobre o Metaverso:

https://www.vazproducoes.com/post/68082-o-que-e-realidade-mista

https://www.mdpi.com/2673-8392/2/1/31/htm

https://mittechreview.com.br/metaverso-pode-ser-nova-internet-e-vira-prioridade-das-big-techs/

Referências:

Laver, K., S. George, S. Thomas, J. E. Deutsch, and M. Crotty. “Cochrane review: virtual reality for stroke rehabilitation.” European journal of physical and rehabilitation medicine 48, no. 3 (2012): 523-530.

Izard, S. G., Juanes, J. A., García Peñalvo, F. J., Estella, J., Ledesma, M., & Ruisoto, P. (2018). Virtual Reality as an Educational and Training Tool for Medicine. Journal of medical systems, 42(3), 50. https://doi.org/10.1007/s10916-018-0900-2

Emmelkamp, P., Meyerbröker, K., & Morina, N. (2020). Virtual Reality Therapy in Social Anxiety Disorder. Current psychiatry reports, 22(7), 32. https://doi.org/10.1007/s11920-020-01156-1

https://docs.microsoft.com/pt-pt/windows/mixed-reality/discover/mixed-reality

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