O que são as funções executivas?

por Amanda Douat

Ler textos, fazer uma reunião, estudar para uma prova e arrumar seu quarto são todas atividades em que utilizamos as Funções Executivas. Tarefas em que precisamos usar comportamentos controlados, ou seja, comportamentos que não sejam automáticos, as empregamos. O termo Funções Executivas é considerado um tema guarda-chuva, pois engloba diferentes habilidades, como memória operacional, controle inibitório, flexibilidade cognitiva e autorregulação. Vamos compreendê-los um pouco mais?

  • Memória operacional: armazenar e manipular informações por um curto período de tempo. É importante para atividades diárias, como contar o troco de uma compra no mercado ou realizar uma operação de multiplicação na escola. Está relacionada com o desempenho escolar, em processos como a aprendizagem e compreensão de um texto, por exemplo. Assim, precisamos memorizar as informações lidas, relacioná-las ao seu conhecimento prévio de mundo e processar as novas informações apresentadas. Além da leitura, é uma habilidade relacionada também com o desempenho em matemática.
  • Controle inibitório:  habilidade de regular a atenção, comportamentos, pensamentos e emoções para evitar respostas automáticas. É importante para a manutenção de atenção em uma dada tarefa, como por exemplo, estudar para uma prova, ou prestar atenção em uma reunião. Está relacionada com desempenho em matemática, leitura e escrita.
  • Flexibilidade cognitiva: habilidade de mudar de perspectivas em tarefas mentais. Ou seja, mudar o ponto de vista para resolver um problema ou realizar diferentes atividades. É importante quando estamos tendo dificuldades para resolver um dado problema, e precisamos modificar nosso comportamento para que o solucionemos. É utilizada em diversos âmbitos, escolar, trabalho, dia a dia e relacionamentos diversos. Como as habilidades anteriores, está relacionada com o desempenho em matemática, leitura e escrita.
  • Autorregulação: conjunto de habilidades que auxiliam no reconhecimento e nomeação das próprias emoções. Além disso, envolvem compreender e manejar a intensidade das próprias emoções e quando e como expressá-las em diferentes contextos. Está relacionada ao sucesso escolar e profissional.

Utilizamos Funções Executivas em diversas situações e contextos, não é mesmo? Por isso, diversos estudos buscam compreender o quanto as funções executivas influenciam diferentes atividades, contextos e habilidades. Hoje, já compreendemos que são importantes para o sucesso escolar, saúde, prosperidade, qualidade de vida, habilidade de fazer e manter amigos e harmonia conjugal.

Como são habilidades essenciais, quais são as consequências de um déficit ou dificuldade nelas? Primeiramente, é possível reconhecer um padrão de comportamento semelhante ao desatento em pessoas que apresentam dificuldades em funções executivas. Também, dificuldades em seguirem instruções, guardar informações de instruções com mais de uma etapa, problemas da regulação emocional, manter o foco e assim sucessivamente. Distúrbios que apresentam, em muitos casos, déficits nas funções executivas, são: transtorno do déficit de atenção, dislexia, depressão e ansiedade.

Para intervir e promover funções executivas, existem diversas alternativas baseadas em evidências. Programas de intervenção direcionados à professores para aplicação coletiva no período escolas, programas de intervenção individuais e intervenções gamificadas crescem cada vez mais no mercado por sua facilidade e engajamento de pacientes. Algo que deve estar presente em todos os tipos de intervenções é a contextualização de atividades. Ao intervir em uma dada habilidade, precisamos esclarecer onde elas serão utilizadas no dia a dia.

Agora que você aprendeu um pouco mais sobre as funções executivas, que tal trabalhar algumas de suas habilidades? Comece pensando em que momentos você as utilizou bem, ou acredita que elas “falharam”.

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